Crítica na Imprensa
Pedro M. Santos — Novas propostas operáticas na primeira edição do FIO
”Às 21 horas foi apresentada a ópera “Oráculos & Ladainhas” com a interessante encenação de António Torres em estreito diálogo com outro libreto de Tiago Schwäbl, com a música de Sofia Sousa Rocha e explorando oportunamente a espacialização dos intérpretes e do som no longo e amplo Salão Medieval da Reitoria da Universidade do Minho. A partitura recorreu a dois elementos principais: um gesto instrumental – glissando realizado pela harpa – que serve de base ao tema melódico entoado pela soprano (arioso que remete para música francesa do início do século XX) e o recitativo do barítono, cuja austeridade ressoa o espaço arquitetónico medieval. A iluminação e os figurinos criaram um ambiente frio e distante, sem tempo nem lugar definidos, reforçado pela postura estática dos intérpretes durante grande parte da ópera. O desafio interpretativo resultante da espacialização dos cantores e instrumentistas foi bem resolvido pelos intérpretes, em particular pelos cantores Nataliya Stepanska e Tiago Matos, coordenados, afinados e muito expressivos na sua interpretação cénica e musical.”